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Laticínio
gera renda na colônia
penal do Pará
Paulo
Roberto Ferreira
de
Santa Isabel do Pará
A
venda de queijos, iogurtes, doces de leite, manteiga e requeijão
gera uma renda de R$ 20 mil por ano ou R$ 1,6 mil por mês
ao projeto "Produtos Liberdade". O empreendimento não
pertence a nenhum fazendeiro ou empresa privada. Trata-se de uma
experiência inédita no Brasil, que envolve presos na
criação de búfalos e na organização
de um pequeno laticínio no interior do Pará. Tudo
começou em 1997 na Colônia Agrícola Heleno Fragoso,
localizada no complexo penitenciário de Americano, em Santa
Isabel do Pará, a 50 quilômetros de Belém.
A
Embrapa Amazônia Oriental cedeu, em regime de comodato, 30
matrizes e um reprodutor, com o compromisso de que a cada ano, cinco
fêmeas são devolvidas para o rebanho da instituição.
Os presos aprendem a tratar dos animais, ordenhar, acompanham os
partos e fazem inseminação artificial. Oito internos
trabalham no criatório de búfalos e a cada três
dias de jornada, convertem um na redução de suas penas.
Além disso, ganham uma ajuda de custo de R$ 60,00, sendo
que uma parte, R$ 20,00, vai para uma caderneta de poupança,
que será liberada ao final da pena.
O
agrônomo Amauri Burlamaqui Bendahan, diretor de produção
da Superintendência do Sistema Penal do Estado (Susipe), explica
que a experiência só é possível porque
conta com a parceria de instituições como a Embrapa
e a Universidade Federal do Pará, que mantém, em Castanhal
(cidade vizinha ao local da penitenciária), a Central de
Biotecnologia de Reprodução Animal (Cebran). Além
de ocupar e formar os internos da penitenciária, o projeto
presta serviços para terceiros, como a preparação
de inseminadores e a venda de sêmen de animais.
Os
búfalos, apesar do tamanho e da fama de animais bravos, na
realidade são dóceis e de fácil manejo. Quem
diz isso são os próprios presos. Reginaldo Villar,
que nasceu em Parnaíba, no Piauí, começou a
trabalhar desde criança com gado leiteiro da raça
gir. " O búfalo é mais obediente, basta falar
o nome dele que ele atende a gente", explica o interno, que
já aprendeu a aplicar vacina nos animais.
João
Alves, técnico agrícola do Sistema Penal, responsável
pelo projeto, garante que a búfala é o único
animal que permite a ordenha por trás, sem bater no trabalhador.
"A gente nem precisa amarrar a búfala para retirar o
leite", diz Alves, sentado no lombo de um animal. O projeto
conta com estrelas como a búfala "Alfavaca", que
produz 13 litros por dia de leite, "Negrita", com 12 litros/dia
e "Hegemonia", com 10 litros/dia. Os animais pertencem
às raças Murrah e Mediterrâneo.
Até
o ano passado, todo leite coletado era vendido para os funcionários
públicos do Pará. Mas com a montagem do laticínio,
a produção de queijo, iogurtes, doces, requeijão
e manteiga vai tudo para uma loja do Sistema Penal, em Ananindeua,
município da região Metropolitana de Belém.
O laticínio foi financiado com recursos do Ministério
da Justiça e em parceria com as secretarias estaduais de
Agricultura e Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente.
O
laticínio ainda está operando com apenas 10% da sua
capacidade instalada, que é de 200 litros/hora. No final
de semana o leite coletado é todo distribuído para
os 150 presos que cumprem pena na colônia agrícola,
que também ocupa os internos com outros projetos, como a
criação de cabras, suínos, patos e o cultivo
de hortaliças.
O
presidente da Associação Brasileira dos Criadores
de Búfalos (ABCB), Rogério Loures, visitou a colônia
Heleno Fragoso e ficou admirando com o trabalho. Num encontro que
manteve com o governador do Pará, Almir Gabriel, anunciou
que vai recomendar, como modelo, a experiência paraense ao
ministro da Justiça, Aloisio Nunes Ferreira.
Fotos:
Rodolfo Oliveira/Ver-a-Mídia
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